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domingo, 30 de novembro de 2014

Estudo sobre os pés


A correção postural começa nos pés


Os pés são a base, o nosso órgão de equilíbrio, regula a pressão e a distribuição de peso em relação ao solo e ao centro de gravidade. São responsáveis também pela regulação da postura dinâmica e estática que vem da região plantar e, ainda, são órgãos sensoriais capazes de captar informações internas relacionadas ao controle postural. O fundamento desta base deve estar suficientemente firme para suportar você quando estiver abalada.
Os seus pés permitem que você entre em contato com a terra, com a realidade do seu entorno.



Se você faz um bom contato com a terra, poderá descarregar através dela, todo o stress, preservando a sua saúde física e psíquica.


Na década de 1970, alguns profissionais já tinham descoberto o uso de palmilhas ortopédicas para a correção postural, mas foi em 1980 que René Bordioul iniciou um novo conceito terapêutico baseado na correção postural.
Surgiu a podoposturologia, área da ciência da saúde que visa prevenir e tratar os transtornos posturais e do equilíbrio por meio da estimulação podal – do pé.
O tratamento com uso de palmilhas pode ser indicado para diversos transtornos como dores nos joelhos e tornozelos, dores nas costas e distúrbios de circulação nos membros inferiores.
Como cada paciente é único, assim como o formato do pé e a forma de andar , as palmilhas são personalizadas e isso exige um conhecimento específico do profissional. O paciente precisa ter um acompanhamento individualizado durante todo o tratamento para que haja reavaliações e possíveis manutenções, até que tenha alta.

Identificando e corrigindo uma pisada errada

Uma pisada incorreta pode acarretar vários problemas, além de prejudicar o equilíbrio e dificultar a execução de deslocamentos, toda a estrutura óssea pode sofrer seriamente com isso.
Em uma caminhada normal os pés repetem uma sequência que se inicia do contato do calcanhar (calcâneo), depois planta, metatarso e dedos. E terminam quando os dedos se elevam do chão.
 


Na Dança do Ventre procure concentrar o peso no centro do metatarso, pois auxilia no seu equilíbrio, melhora a execução dos movimentos, é mais saudável e pode corrigir problemas como os descritos a seguir:

 

Supinação Excessiva

Ocorre quando a pisada é efetuada nas laterais externas, ou seja, inicia-se na lateral externa do calcanhar, mantém o contato do pé com o solo do lado externo e termina tendo como base o dedinho.
Um pé supinado dificulta muito o equilíbrio para movimentos em meia ponta.

Pronado Excessivo

É uma pisada que começa do lado externo do calcanhar, mas sofre uma rotação e o peso é depositado para a lateral interna do pé concentrando no dedão.





·       Na dança, o andar é aplicado de forma contrária ao do ciclo da marcha, em que o calcanhar contata a superfície do chão e em seguida, o apoio é transferido para o metatarso. O andar na meia ponta alta proporciona um ar de elegância, principalmente se o apoio é realizado do metatarso para o calcâneo, quando se utiliza o pé inteiro no chão.



Tipos de pés

 info tipos de pé eu atleta (Foto: Editoria de Arte / Globoesporte.com)
Articulação dos pés

De maneira simplificada, o pé é formado pelo tarso, metatarso e falanges, e seus movimentos são realizados pelos músculos, como no resto do corpo.

A cinesiologia do tornozelo e do pé depende dos movimentos:





  • Dorsiflexão (flexão do dorso do pé / para cima);
  • Planiflexão (flexão da planta do pé / para baixo);
  • Eversão (quando a borda medial do pé se dirige para a parte medial da perna / dedão);
  • Inversão (quando a parte lateral do pé se dirige para a parte lateral da perna / dedinho);
  • Abdução (movimento do pé para fora);
  • Adução (movimento do pé para dentro);
  • Pronação (o calcâneo se move em direção ao tálus, com uma eversão, abdução e dorsiflexão);
  • Supinação (inversão do calcâneo, adução e flexão plantar – muito comum em uma meio ponta incorreta).
·         Em conjunto, estes movimentos são utilizados enquanto dançamos, muitas vezes, sem qualquer tipo de consciência a respeito a natureza que se esconde em nossos pés, sobre a estrutura pé, que é a base do corpo para dançarmos!
·         É comum a utilização do peso sobre o dedinho ou o dedão, a depender dos movimentos, e outras formas incorretas de utilização do apoio. Não é fácil educar anos de prática incorreta. Com o tempo, o incorreto passa a ser comum e nosso centro de apoio fica deslocado, como por exemplo, o equilíbrio da meia ponta em supinação. Com os anos, isso pode acarretar problemas…
·         O pé também possui elementos ósteo-articulares, ligamentares e musculares, que se associam harmonicamente, permitindo que seu “arco” modifique sua curvatura, tendo elasticidade para se adaptar a todos os formatos de solo, distribuindo o peso do corpo nos mais diversos tipos de situações, e ainda, desempenhando o papel de amortecedor para suavizar a marcha. Esta característica favorece os deslocamentos da Dança do Ventre articulados na meia ponta baixa, média e alta.
·          
Para começar a desenvolver consciência dos seus pés, sente-se no chão com as duas pernas estendidas para a frente e com o quadril completamente relaxado. Se você for como a maioria das pessoas, suas pernas provavelmente rolarão para fora e seus pés relaxarão em algum grau de flexão plantar e supinação. Essa ajuda do alinhamento natural dá balanço aos seus passos e absorve impacto quando você anda: O pé está em supinação e bate no chão, muda para pronação quando recebe todo seu peso e retorna à supinação quando sai do chão.



“Só quando descubro a gravidade, o chão, abre-se espaço para que o movimento crie raízes, seja mais profundo, como uma planta que só cresce a partir do contato íntimo com o solo. Só dessa forma surge à oposição, a resistência que vai abrindo espaço entre os ossos,  seguindo sua direção nas articulações. À medida que vou sentindo o solo, empurrando o chão, abro espaço para minhas projeções internas, individuais, que à medida que se expandem, me obrigam a uma projeção para o exterior”.
(Trecho do livro “A Dança” de Klauss Vianna)

Aprendi que os pés devem procurar se abrir no solo, como raízes profundas na terra. E os apoios estão concentrados em três pontos básicos: na região do Metatarsal I , Metatarsal V e no Calcâneo. O Cubóide também tem participação importante, pois ao imprimir peso nessa região, impedimos que o arco do pé caia para frente e acentua-se o *en dehors.
(Dança depois dos 20)

Músculos do pé

Região Dorsal – Dissecação Superficial

Região Dorsal – Dissecação Profunda

Região Plantar- Dissecação Superficial

Região Plantar – Primeira Camada

Região Plantar – Segunda Camada

Região Plantar – Terceira Camada

Músculos do pé Interósseos Dorsais e Plantares

Trabalho de fortalecimento e abertura das articulações dos pés
“Os ossos representam papel importante no sentido de controle e na posição de cada homem no mundo”. Através deles cada um de nós  determina seu grau de segurança, buscando continuamente o ritmo do movimento. Mecânica, fisiológica e psicologicamente o corpo humano é compelido a lutar por equilíbrio.
“É preciso reconhecer o local do corpo onde surge a oposição a força que vem do solo: geralmente se situa em ponto em que nossa tensão é mais frequente. Ombros, língua, mãos, boca, coluna cervical, diafragma. É nesse ponto de tensão que acabamos colocando nosso equilíbrio – quase nunca nos pés. (…) andamos em cima dos ombros, corremos com a língua: a força está sempre concentrada nas partes erradas. O pé também denuncia nossa relação com a vida, ao pisarmos brigando com o solo, ou ignorando-o, deslizando aéreos, indiferentes.”
(Trecho do livro “A Dança” de Klauss Vianna)

Três ou quatro exercícios de nível básico proporcionam (quando bem executados) um excelente trabalho de fortalecimento e abertura das articulações dos pés.

1 - Massagear os pés antes das aulas ou treinos. Para isso pode-se utilizar uma bolinha resistente, ou mesmo as mãos. Uma dica muito interessante é massagear e tentar ganhar mais espaço entre os Cuneiformes Medial, Intermédio, Lateral e Metatarsal V, seguindo pelos ossos Metatarsal, até a ponta dos dedos. 
Massagear o Calcâneo também ajuda a aquecer a região.

2- Fazer exercícios de flexão/extensão plantar passando pela meia ponta. Assim será possível encontrar equilíbrio para realizar as transferências de peso.

3 – Fazer exercícios para o colo do pé.


Alongamentos para melhorar a elasticidade dos seus pés



Exercício para colo de pé

Exercícios na meia ponta

Flexão plantar


A meia ponta na Dança do Ventre
Trabalho de pé
Trabalho de articulação dos pés para chegar às pontas

A utilização “única e contínua” da meia ponta em qualquer atividade física pode acarretar em vários problemas.
No balé clássico não se utiliza a ponta e/ou meia ponta o tempo todo. Existem inúmeros movimentos feitos obrigatoriamente e somente com os pés totalmente apoiados no chão.
Na Dança do Ventre seguimos a mesma regra, ou seja, não dançamos o tempo todo em meia ponta. Ora utilizamos a meia ponta, ora dançamos com os pés totalmente apoiados no chão.
Não há necessidade da meia ponta contínua, pois a dança fica “empobrecida” porque descartamos um recurso (pés totalmente no chão), além de ser prejudicial à saúde.
Em relação à meia ponta: existe a meia ponta baixa e a meia ponta alta, como a chamamos no balé clássico. É uma diferenciação que leva em conta o quanto subimos, ou seja, quanto mais perto ou mais longe o calcanhar estiver do chão, de acordo com a possibilidade de cada pessoa.
 Na Dança do Ventre muitas vezes utilizamos a meia ponta baixa como mais um recurso “artístico”, mas não podemos deixar de considerar que a meia ponta baixa é uma poderosa aliada para lidar com um possível encurtamento de musculatura posterior e para “liberar” mais a bacia para fazermos os shimmies. Na verdade, esse “recurso” pode até ser dispensado dependendo não só da constituição anatômica de cada bailarina mais como também de todo um trabalho voltado a auxiliar as dificuldades de cada uma.
Assim você pode utilizar ora os pés apoiados totalmente no chão, ora a meia ponta baixa, ora a meia ponta alta na Dança do Ventre, mais NUNCA a meia ponta o tempo todo.
Recomendo o uso da meia ponta baixa para as iniciantes, para preservar o corpo e manter a confiança na execução dos movimentos já que o equilíbrio torna-se mais fácil de ser obtido do que com a meia ponta alta, lembrando sempre que os joelhos devem estar alinhados com o 2° dedo do pé (ao lado do dedão) e um pouco fletidos, (dobrados).
O treino da meia ponta favorece o fortalecimento dos tornozelos e das panturrilhas. Não é incomum, dançarinas terem panturrilhas bem torneadas e fortalecidas.
É certo que o uso da meia ponta baixa favorece mais o equilíbrio que a meia ponta alta. Embora esta última seja esteticamente mais bela que a primeira, nem sempre sua execução é possível, dependendo da anatomia do pé.
Fique atenta para não forçar o que ainda precisa de tempo para se desenvolver. Uma meia ponta nunca é igual à outra. Seu pé é único. Perfeito para seu andar e equilíbrio.

Os chakras dos pés



Localizado nas solas dos pés, sua finalidade é descarregar energia elétrica (estática) gerada pelo corpo físico, como também a absorção prânica. Aterramento. Relação com a Mãe Terra. Estabilidade em geral.
Em um dos pés a energia é aferente, conduz de fora para dentro. No outro é eferente, conduz de dentro para fora.
O Chakra dos pés tem ligação com o Chakra Básico (localizado na altura dos órgãos genitais) e todo o conceito de sobrevivência, segurança e força. Uma boa dica para equilibrar os Chakras dos pés é ter contato com a natureza, andando descalço na terra, grama ou areia.

Zonas de ressonâncias nas plantas dos pés relacionadas à coluna vertebral



Coloque um cabo de vassoura no chão, apoie seus pés no cabo da vassoura, o cabo esta transversal em relação ao comprimento dos seus pés.
Pressione um pé por sete segundos e depois o outro, nos setores indicados no mapa, expire e inspire delicadamente.

Certamente você sentirá um enorme benefício. De manhã para despertar, à noite para acalmar, por dez minutos.

Escalda-pés para relaxar o corpo e a mente


Para deixar os seus pés relaxados e aliviar o estresse do dia nada melhor que um escalda pés. É uma ótima sugestão para mandar o cansaço para bem longe.
Deixar os pés de molho em escalda-pés com sais de banho e massagear a planta do pé com cristais estimula os pontos reflexos e absorvem a energia do mineral, para relaxar o corpo, a mente e manter a saúde.
O escalda pés é uma técnica milenar que ativa a circulação e os principais pontos de relaxamento dos nossos pés, que os grandes condutores de energia do nosso corpo.
Nossos pés são a base de sustentação do nosso corpo e sofrem enorme desgaste ao longo do dia, após horas de atividades sem descanso. E o escalda pés é uma maneira simples e eficaz de aliviar a tensão, relaxar a musculatura e diminuir a sensação de cansaço dos pés e pernas.
Esses efeitos são relacionados, em grande parte, com a água e sua temperatura – em torno de 38C° para o escalda pés – que possuem efeito curativo, revigorante e extremamente relaxante.
Além disso, segundo os chineses, nossos pés possuem em cerca de 70 mil terminações nervosas que estão associadas a diversos órgãos do corpo humano (reflexologia).
Sendo assim, a pressão e o aquecimento desses pontos refletem em um equilíbrio do corpo todo.
É uma terapia fácil que pode ser feita em casa várias vezes por semana.

Como fazer um escalda pés

Despejar em uma bacia ou mini-ofurô aproximadamente 2 litros de água quente (calor confortável). Manter ambos os pés submersos na água até a altura dos tornozelos durante 20 a 25 minutos.
Para deixar o escalda pés ainda melhor, acrescente algumas gotas de óleo essencial que possuem propriedades muito benéficas.

Dicas:

Eucalipto - ajuda a ativar a circulação, diminuindo a sensação de peso nas pernas.
Hortelã – ação antisséptica.
Alecrim – revigora e desodoriza os pés que ficarão com uma agradável sensação de frescor.
Camomila – calmante.
Ou outro de sua preferência.
Você poderá adicionar também algumas ervas frescas ou desidratadas que em contato com a água morna liberam aromas deliciosos.
Camomila, cravo da índia, canela em pau, hortelã fresca, folhas de eucalipto, pétalas de rosas.
Também poderá optar pelo sal grosso – 2 colheres de sopa – para drenar os líquidos e diminuir inchaços.
E por último poderá utilizar também as pedras ou cristais, e fazer movimentos com os pés sobre as pedras/cristais para massageá-los.
Olho de gato – indicada para tendões, nervos, musculatura, distensões, câimbras e nevralgias.
Ágatas – com efeito relaxante propicia o bem estar.
Ametista – espiritualidade.
Quartzo rosa – emocional.
Quartzo verde – saúde.
Aragonita – anti-estresse.
Ônix preta – ajuda a descarregar energia negativa.

Quando terminar hidrate os pés aproveitando para massageá-los, realizando pequenos movimentos circulares na planta, dedos, calcanhares e dorso.

Mas atenção, o escalda pés têm algumas contraindicações;

Não pode ser feita por pessoas portadoras de diabetes devido à falta da sensação tátil dessas pessoas, pois podem se queimar com a água quente por sentirem a temperatura da mesma, a não ser que seja preparado por outra pessoa;
Pessoas com arteriosclerose ou doença de Buerger, pois são doenças que afetam os vasos sanguíneos das mãos, braços, pernas e pés, provocando os seus inchaços (vasculites) e impedindo a circulação do sangue (isquemia).

Séries simples de exercícios de alongamento para os pés

Caminhe descalço sentindo o contato da sola dos pés com o chão. Fique de joelhos com os dedos dos pés revirados. Estique os pés e sente-se sobre os calcanhares. Mantenha os dedões unidos e afaste os calcanhares, sentando-se entre eles. Por último sobreponha o pé direito sobre o esquerdo e repita com o outro pé. Permaneça nas posições por quanto tempo for confortável, sem forçar. 



Um bom alongamento nos pés pode prevenir dores indesejáveis durante seu dia.
Para isso, indicamos uma série de alongamentos que podem ser praticados a qualquer momento e em qualquer lugar: antes de sair de casa, no trabalho, na frente da televisão, na sala de aula, no trem, no ônibus e até mesmo num avião (durante uma longa viagem).
Esses exercícios de alongamento beneficiam tanto os pés quanto a parte inferior das pernas, protegendo-as de lesões musculares. À medida que faz os exercícios, lembre-se de alongar-se moderadamente, nunca para sentir dor. Além disso, nunca faça os exercícios pulando. Faça movimentos leves e calmos.

1. Enrole uma toalha de rosto, bem apertada, e pressione a ponta dos dedos sobre ela, deixando o calcanhar fixo no chão. Permaneça nessa posição por quinze segundos e relaxe. Repita três vezes com cada pé.



2. Dobre a toalha, coloque-a no chão e apoie a extremidade do dorso dos pés sobre ela. Fique nessa posição por quinze segundos e relaxe. Troque o pé e repita a sequência. Faça três vezes com cada pé.




3. Apoie o pé sobre a toalha dobrada no chão e, com os dedos, desloque-a para frente e para trás. Não levante a sola do pé do chão. Faça três séries de quinze vezes com cada pé.





4. Sentada com a mão sobre o joelho, pressione-o para baixo enquanto levanta o calcanhar do chão. Faça três séries de quinze vezes com cada perna.

Exercícios para fascite plantar

Usar ou não sapato ao dançar

Dançando descalça





O nosso corpo está repleto de linguagens escondidas e a dança do ventre atua como reveladora da alma feminina, onde cada detalhe do seu corpo é repleto de significado. Os pés são detalhes que não passam despercebidos nessa arte.
No Egito, originalmente dançava-se descalço, e os pés da bailarina tinham uma forte simbologia, pois os pés representavam acima de tudo o contato com a terra, a manifestação corporal que deixa suas marcas, significando o ponto de apoio e equilíbrio. Além de muitos o considerarem um forte símbolo do ser feminino e da força da alma, por ser ele o suporte do corpo na posição vertical.
Se optar por dançar descalça é importante manter as unhas sempre bem feitas, os pés lixados, esfoliados, hidratados e limpos.

Dançando calçada





A introdução do sapato na Dança do Ventre foi feita pela bailarina egípcia Samya Gamal e, nos dias atuais o uso do mesmo, de preferência o de salto alto estão se tornando bastante comum em performances no Egito.
Exemplos de bailarinas que usam sapatos são: Ashman, Soraya Zaied e as bailarinas brasileiras que dançam no Egito.
As bailarinas libanesas apresentam em sua dança uma tendência europeia, às vezes americanizada, e quase nunca dispensam o uso dos sapatos. Elas consideram elegante o uso de sapatos ao dançar.
Curiosamente nos Emirados Árabes o público prefere que a bailarina dance de sapatos, acreditam ser mais elegante do que ver as solas dos pés que podem estar sujas.
No início ao dançar com os sapatos a bailarina pode estranhar um pouco para executar os movimentos, mas há quem diga que alguns movimentos podem ser favorecidos pelo uso dos sapatos.
É importante salientar que os sapatos devem ser específicos para a dança, não é só pegar qualquer scarpin mais bonito, desnivelados e sair dançando por aí, isso pode trazer sérios problemas de coluna. Quem quiser adotar o sapato em sua dança terá que ter em mente que será mais um investimento a ser feito.
Outro ponto é que a bailarina saiba caminhar com o salto, porque se normalmente ela caminha com os joelhos dobrados ao usá-lo, na dança isso ficará visível. Terá que dançar com confiança, segurança e elegância, principalmente nos deslocamentos, pois na Dança do Ventre usamos muito os joelhos semi-flexionados.
Exceto nos países onde culturalmente se acha a dança mais bonita com os sapatos e nas danças folclóricas como o Dabke (onde o uso dos sapatos é obrigatório), seu uso nos demais lugares vai do gosto da bailarina ou do público para o qual irá se apresentar.


Exercícios, estudo de anatomia, fisiologia, massagem. Pra que tudo isso? Para saber que temos pés! Isso ai! Quando trabalhamos os pés através de exercícios de sensibilização, toques, fortalecimento de articulações e músculos, ampliamos sua mobilidade. O esforço repercute sobre todo o corpo e descobrimos: Temos pés!
Posição dos pés na dança do ventre
Da mesma forma que os braços, as posições de pernas e pés foram adaptadas. Aqui elas apenas perderam suas características *en dehors que não fazem parte desta modalidade de dança. Compare a original com a adaptada.

 Primeira posição pés

 No balé

Na dança oriental

Segunda posição pés

No balé

Na dança oriental

Quarta posição

No balé
Na dança oriental

Posição Oriental


Em dehors - é uma expressão francesa que significa "para fora".
O "en dehors" utilizado no ballet clássico tem uma origem antiga: costuma-se dizer que o primeiro registro sobre o "En dehors" está num escrito de Cesare Negri de 1530 chamado "Nuova inventioni di balli" em que ele aconselhava usar pernas e joelhos esticados e os pés virados para fora a fim de proporcionar mais estabilidade, pois os bailarinos da época usavam grandes e pesados figurinos.
Foi Pierre Beauchamps, diretor da Academia Real de Dança nomeado por Luís XIV, que codificou as cinco posições de pés usados no ballet clássico atual.
Anatomicamente, en dehors é uma rotação externa do fêmur na fossa do acetábulo e os músculos responsáveis por esta rotação são o sartório, o ílio-psoas, o glúteo máximo e uma porção do bíceps femoral.
(Wikipédia)

Principais agravos que acometem os pés e tornozelos de bailarinos


Calo macio

De acordo com Klafs e Lyon (1981), o calo macio (soft corn) caracteriza-se por crescimento epitelial anormal, devido a ponto de pressão em área constantemente úmida. Desenvolve-se com maior frequência no quarto e quinto artelhos. Na dança os principais sintomas são a hipersensibilidade acompanhada de inflamação e dor, impedindo, muitas vezes, a bailarina de usar sapatilha de ponta, exatamente pela pressão que o peso do corpo exerce sobre os artelhos e a transpiração excessiva nos pés (CAILLIET, 1978). 
Para prevenir a formação de calosidade deve-se manter a região limpa e seca, trocando os meios diariamente; adicionalmente, a colocação de pequena almofada de esponja ou feltro.
Entre os dedos ajuda a aliviar a pressão. Woodall et al (1992) descrevem como fabricar almofadas para tratamento de calo macio em profissionais de dança.

Calo duro

Segundo Fatarelli et al (1997), o calo duro é definido como o estado crônico resultante da acumulação de espessa camada calosa, também denominada hiperqueratose. Desenvolvem-se acima do dorso do pé, e no topo dos dedos, ao redor do calcanhar, por cima das deformidades do joanete ou em qualquer outro ponto que um tipo particular de sapatilha ou estilo de dança possa causar fricção ou esfregamento (roçamento). A princípio, não são dolorosos, mas se não forem tratados, podem causar desconforto e infeccionar. É resultante de pressão (sapatos que não se ajustam bem aos pés) ou de deformação do dedo. Weicker e Clinic (1988) argumentam que a profilaxia deve ser executada por profissional especializado. O professor pode auxiliar verificando se os sapatos se ajustam corretamente e orientar que a pessoa mergulhe os pés em água morna com sabão para que o calo possa amolecer. Também auxilia o uso de almofada de feltro ou borracha com orifício central para realizar a descompressão do local.

Bolha

É o resultado de fricção excessiva fazendo com que as camadas superiores da pele se separem (a epiderme se descola da derme). Há acúmulo de fluido na área de separação com formação da bolha. Os sintomas são dor e inflamação local. Na dança, o uso de sapatilha nova, exercícios prolongados, locais inadequados de prática, uso de sapatos apertados, atividades que solicitem paradas e mudanças repentinas de direção favorecem sua ocorrência. A profilaxia consiste em usar calçado confortável na região do hálux e dos demais dedos. A bailarina deve retornar de forma gradual à atividade após um período de afastamento para regeneração dos tecidos comprometidos. Deve selecionar cuidadosamente os sapatos e realizar higiene apropriada; nas áreas de maior exposição recomenda-se usar esparadrapo de micropore para diminuir a fricção e evitar a propensão de formação de outra bolha (WEICKER; CLINIC, 1988).

Hálux valgus (Joanete)


É definido como o desvio do hálux de sua posição natural em direção lateral com proeminência medial na base do pé. O abdutor do hálux fica debilitado e deixa de atuar no sentido de conduzir o dedo para a sua posição natural. Com isso há espessamento da cabeça saliente do 1° metatarsiano. Esta elevação é cronicamente acentuada pelo uso de sapatilhas de ponta; é antiestética e atrapalha toda a ação do pé (DIEM, 1985). 
De modo geral, não são dolorosos, mas acarretam deformidades. Eventualmente, a dor pode ser causada pela formação de edema local em função de processo inflamatório. Um dos principais fatores de risco para a formação do joanete é o uso de sapatos de ponta fina que limitam a abdução do hálux desviando-o de seu leito anatômico natural, e forçando-o em direção à borda lateral do pé. Pode ser resultado, também, de um metatarso encurtado. Einasdóttir et al (1995) encontraram a presença de halux valgus em 89% dos bailarinos franceses, enquanto em outros artistas de palco, a frequência foi de 51%, caracterizando-se, em deformidade típica do praticante de balé; esta taxa elevada é explicada pelo formato anatômico da sapatilha de ponta que provoca o estrangulamento dos dedos. Para o tratamento, recomenda-se a aplicação de gelo e medicação anti-inflamatória nos quadros agudos. É possível diminuir a exacerbação do desalinhamento através da análise biomecânica do suporte de peso, exercícios corretivos e uso de sapatilhas mais largas. Bailarinos que convivem com o problema há muito tempo costumam fazer recorte no calçado na área de compressão, aliviando assim a dor e o desconforto.

Hálux rígido


Consiste na incapacidade para fazer com que o hálux atinja uma faixa ampla de movimento, devido a uma artrite degenerativa da articulação
metatarsofalangiana, que se torna rígida e inflexível; o grande artelho é incapaz de dorsifletir, interferindo, assim, no impulso durante a marcha. Depois do joanete este é o distúrbio mais comum do hálux, afetando aproximadamente 2% da população entre 30 e 60 anos de idade (SNIDER, 2000). 
O principal sintoma é a presença de dor a cada passo, devido à necessidade de dorsiflexão do hálux. É causado pelo estresse excessivo sobre o grande artelho. Este tem movimentação ampla ou normal na posição de meia-ponta, mas tem hiperextensão limitada, na posição de dorsiflexão. O tratamento consiste em evitar esforço sobre o artelho rígido. Um coxim metatársico pode ser colocado sobre o 1° metatarso, atrás de sua cabeça, elevando-a e prevenindo a dorsiflexão. Uma lâmina de aço na sola também evita a deformação por flexão do calçado. O procedimento cirúrgico consiste na ressecção da articulação e remodelagem da cabeça do metatarso. 
(CAILLIET, 1978)

Fratura de estresse no tornozelo


É provocada por movimentos excessivos que promovem o remodelamento do osso em taxa mais rápida que o tolerado. O organismo tenta fortalecer o osso estressado, removendo o tecido ósseo antigo e fortalecendo o novo. Se essa resposta for excessiva o processo de reparação pode enfraquecer outras partes ósseas, onde o tecido ósseo novo será produzido; a área enfraquecida está mais sujeita a falhas mecânicas que podem resultar em solução de continuidade, também conhecida como fratura de estresse 
(JONES et al, 1994). 
O início dos sintomas é gradual e insidioso, sem relação específica com época do ano, condições climáticas ou lesão anterior. Normalmente, é causada por sobrecarga repetida nos ossos durante atividades como corrida ou marcha. Segundo Weicker e Clinic (1988), há casos de bailarinas que apresentam quatro ou cinco fraturas de estresse, sendo a maioria na tíbia. Argumentam, ainda, que, na dança, o condicionamento físico ruim e piso pouco flexível são fatores de risco para ocorrência de fraturas de estresse. O hábito de amarrar as fitas das sapatilhas apertadas causa estresse que pode levar à fratura no tornozelo, bem como à lesão no tendão de Aquiles. O único tratamento efetivo é o repouso. Quando a fratura de estresse for curada, o bailarino deve realizar o retorno gradual e progressivo à atividade. As fraturas de estresse podem ser refratárias ao tratamento conservador representado pelo repouso, sendo, nestes casos necessária terapia com estimulação elétrica ou cirurgia.

Entorse de tornozelo


Decorre de movimento brusco que ultrapassa os limites normais da mobilidade articular. Pode ser classificado em três graus, a saber: 1° grau, caracterizado por pequena falência das fibras colágenas dentro do ligamento; 2° grau ocorre arranchamento parcial do ligamento e possivelmente da cápsula articular com considerável perda da força; 3° grau, quando resulta do arrancamento completo. Os sintomas dos agravos de 1° grau consistem em dor de leve a moderada, pequena perda das funções e edema reduzido. Nos de 2° grau, a dor é moderada a intensa, o edema é acentuado, há descoloração da pele, perda temporária das funções e instabilidade articular. No 3° grau a dor é intensa, há perda de função, edema imediato e limitação do movimento (FATARELLI et al., 1997). 
No balé a entorse de tornozelo ocorre quando o bailarino sobe na ponta, perde o equilíbrio e cai sob o pé ou, em aterrisagem inadequada. Ocorre tanto em movimento de hiperextensão quanto de hiperflexão. É mais frequente em bailarinas jovens que estão iniciando na sapatilha de ponta, antes de estarem preparadas fisicamente e tecnicamente (FITT, 1988).

Fáscia plantar


A fáscia plantar é uma faixa fibrosa que se estende da base do calcâneo até a parte anterior do pé. Ela tem as funções de dar suporte e garantir elasticidade ao arco plantar. O estresse repetitivo na fáscia ocasiona sua inflamação ou até rompimento. Os sintomas principais são dor e sensibilidade sob a porção anterior do calcanhar, irradiando para a região anterior do pé (CAILLIET, 1978). 
Este agravo é frequentemente observado em bailarinos com dez ou doze anos de prática e, geralmente, é causado pela execução de coreografias que requerem saltos e danças em superfície dura, alinhamento anormal do pé, como pronação excessiva e ficar em pé durante longo tempo, especialmente quando o indivíduo não está acostumado, são fatores de risco para esta lesão. O tratamento consiste na combinação de gelo e medicação anti-inflamatória. O tratamento tem por objetivo aliviar a pressão causada pela sustentação do peso. Elevar o calcanhar, com auxilio de pequeno salto ou palmilha, retira a tensão sobre a aponeurose. Na região do calcanhar pode ser realizada, também, a retirada (escavação) de material da sola do sapato que deve ser preenchido novamente com borracha esponjosa. Exercícios voltados a aumentar a força dos músculos onde se inserem nos tendões da região plantar ajudam a suportar a fáscia (WEICKER; CLINIC, 1988).

Neuroma de Morton


Os nervos que repousam entre os metatarsos tornam-se vulneráveis à impactação e ao pinçamento. Quando isto ocorre, pode se instalar nas células da cápsula envoltória uma fibrose perineural, comum entre as cabeças dos metatarsianos, que se manifesta como uma tumoração benigna. Portanto, não se trata propriamente de um tumor de nervo. Os sintomas são dor aguda e hipersensibilidade. O uso de calçados apertados ou outro tipo de pressão localizada podem ser os causadores da tumoração (FITT, 1988). 
O bailarino deve usar sapatos de salto baixo, biqueiros largos e solado macio, associada ao uso de medicação anti-inflamatória na fase aguda. Quando o desconforto é muito acentuado, deve se avaliar a possibilidade de realizar a excisão cirúrgica do “neuroma” fora da época de temporada (SNIDER, 2000).

Tendinite do flexor longo do hálux


A tendinite é um processo inflamatório que acomete os tendões, causada por estresse excessivo na unidade tendão-músculo. Ocorre principalmente em áreas com maior sobrecarga. Se não for tratada de forma adequada há risco de necrose, podendo ocorrer a ruptura do tendão (ELLEN, 1981). O principal sintoma é a dor à flexão do hálux contra resistência. É comum ao executar o relevé, e nos movimentos de ponta e de locomoção. Edema e sensibilidade aumentada se manifestam durante o processo agudo. Ocorre no movimento de grand-plié, quando há o estiramento máximo deste tendão, onde a distância que o dedo deve se deslocar para acomodar esta posição é de 4 a 6 cm. O grand plié pode ser realizado em cinco posições diferentes. Em quatro delas, há flexão total dos membros inferiores com retirada espontânea dos calcanhares do solo. Este movimento deve ser gradativo e suave. Em todos os grand-pliés os membros inferiores devem estar afastados num ângulo de 180°, e o peso do corpo igualmente distribuído em ambos os pés. Interrupção dos treinamentos, repouso, massagens, aplicação de gelo, medicação anti-inflamatória e alongamento leve são procedimentos comuns nestas situações 
(WEICKER; CLINIC, 1988).

Bursite no tornozelo


Inflamação das bursas ocorre por fricção excessiva, repetitiva ou traumatismos diretos. As bursas são bolsas lubrificantes com conteúdo sinovial: localizam-se em região de fricção entre tendões e ossos ou tendões, ossos e pele. Sua função é de facilitar o movimento dessas estruturas. Os principais sintomas das bursites são dor articular (permitindo distingui-las das tendinites) que pode se irradiar ao longo da estrutura músculo–tendínea, limitação dos movimentos e edema. O aumento de sensibilidade é anterior ao tendão calcâneo (tendão de Aquiles) e se irradia para o osso subjacente (JONES et al, 1994). Weicker e Clinic (1988) referem que na região do tornozelo há várias bursas, porém, no balé somente duas são acometidas frequentemente; elas localizam-se entre o calcâneo e a inserção do tendão calcâneo e entre o tendão e a pele, no mesmo local. A fricção e pressão da borda da sapatilha de dança com a pele e o calcâneo provocam a bursite. O tratamento consiste na aplicação de gelo, anti-inflamatório oral e, em casos agudos, a injeção com esteroides levará a alívio rápido e completo. Em casos raros, uma cirurgia é possível para retirar a proeminência do calcâneo que causa a irritação crônica. A recuperação é de 3 a 4 semanas após a intervenção.

Tendinite de Aquiles


Na dança os sinais e sintomas principais são o edema e sensibilidade à dor aumentada, quando da execução do demi-plié, relevé e aterrisagem; o movimento é frequentemente acompanhado por estalido na porção inferior do tendão calcâneo. As causas da tendinite são a técnica pobre e o desalinhamento das pernas à execução do movimento. São comuns, também, em bailarinas idosas com tendões enfraquecidos pelo desgaste e naqueles que têm um plié mais vigoroso. É tipicamente causada pela falta de amortecimento (pliés) quando da aterrisagem de saltos e relevés (FITT,1988). 
O tratamento consiste na realização de repouso, massagens, aplicação de gelo e o uso de medicação anti-inflamatória. Deve-se usar, também, elevação nas sapatilhas de balé e jazz (pequeno salto) para diminuir a pressão sobre o tendão. O alongamento do tendão depois das aulas e ensaios é a melhor prevenção. Nos casos agudos, a imobilização com bota de gesso por período de 4 a 6 semanas pode ser necessária. Injeções de corticosteroides podem aumentar o risco de ruptura do tendão; portanto, tal medicação é contraindicada 
(SNIDER, 2000).

Luxação e sub-luxação do tornozelo


A luxação é caracterizada pela perda de contato entre as extremidades ósseas de uma superfície articular, geralmente acompanhada de lesão cápsuloligamentar. A subluxação ocorre quando dois ossos da articulação ainda permanecem parcialmente próximos (FATARELLI et al., 1997). 
Na subluxação observa-se a perda da função, deformidade, inchaço, hemorragia, dor, fragilidade e espasmo muscular, enquanto na luxação, além dos sinais e sintomas mencionados anteriormente, há, também, deformidade evidente, causada pela separação dos ossos que compõem a articulação. Ellen (1981) afirma que a bailarina deve parar de dançar imediatamente, chamar o responsável, que deverá aplicar bandagem de pressão e compressas de gelo, para reduzir a possível hemorragia e edema; se possível, após a lesão, uma tala deve ser colocada para prevenir dano maior. Retorno à dança deve ser gradual, com exercícios na piscina e fisioterapia.



Fontes:






VIANNA, Klauss. A Dança. São Paulo: Siciliano, 1990.



MÁLIKA. Problemas que ocorrem com a utilização contínua da “Meia Ponta”.








LUIZ MONTEIRO, Henrique e GERALDO GREGO, Lia. Lesões na dança: conceitos, sintomas e tratamento. Universidade Estadual Paulista – UNESP. Bauru, São Paulo, 2003



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